Os 300 anos da Revolta da Cachaça

Avalie este item
(0 votos)
13 Março, 2018

 

 

Pitangui do Passado. Quadro em uma residência de Pitangui.

 Nome do autor (não identificado) no canto inferior direito.

 

 

No ciclo do ouro, a obtenção do título de Vila em Minas Gerais significava autonomia político-administrativa e também era sinônimo de enobrecimento e ascensão na hierarquia colonial para as localidades que os recebiam. Por outro lado a Coroa Portuguesa garantia, teoricamente, seus interesses e expandia seu domínio. Como sabemos, o Arraial do Pitanguy foi elevado à Vila de Nossa Senhora da Piedade do Pitangui em 9 de ­­­­junho de 1715. O fato novo é que, segundo a historiadora Cláudia Damasceno Fonseca, existia à época (fins do século XVIII) uma espécie de verificação da capacidade de um lugar, para sustentar o título de Vila.  Além dos aspectos demográficos e sociais, esta capacidade era medida também por fatores econômicos, como por exemplo, a produção agrícola. E Pitangui exportava os excedentes de sua produção agropecuária e artesanal, conforme relata o militar José Joaquim da Rocha: (...) “a Vila de Pitangui, situada nas vizinhanças do sertão, ao noroeste da Vila de Sabará (...) em terreno bastante fértil de peixe, caça, gado e tudo mais que se necessita para o sustento da vila. Do termo desta vila sai imensidade de carregações de toucinho, embarcadas em canoas que descem pelo Rio Pará e vão sair no São Francisco e aportar em várias povoações que se acham nas margens deste mesmo rio, onde por avultado preço o vendem a negociantes. As aguardentes de cana, que se fazem nas vizinhanças de Pitangui, são as mais nomeadas em todas as Minas e a de que usam a maior parte de seus povoadores” (FONSECA, 2011, p. 359).

Divulgação: Antônio Lemos - Sec. de Cultura.

 

 

O nosso patrimônio cultural, matéria-prima para o turismo, é a maior herança que restou da exploração ocorrida no Ciclo do Ouro. Conforme o registro histórico acima a cachaça de Pitangui é renomada desde o século XVIII e em outubro de 1719 foi motivo de uma revolta popular contra a tributação desta iguaria pitanguiense, considerada como gênero de primeira necessidade, para o insalubre trabalho nas mineração. “Alí estando no juizado da Vila o Brigadeiro João Lobo de Macedo quis pôr estanco ou em contrato o comércio da aguardente de cana, e por isso levantou-se o povo em motim sob o comando de Domingos Rodrigues do Prado, paulista poderoso e caudilho terrível”. (CUNHA ‘As Sedições de Pitangui (1709-1721)’   In CATÃO, 2011, pág. 96). Ou seja em outubro de 2019 teremos os 300 anos da Revolta da Cachaça em Pitangui e a Secretaria de Turismo, Cultura e Patrimônio Histórico da Prefeitura Municipal já esboça ações em torno da data, numa ótima oportunidade de promover a cidade. As atividades estão sendo planejadas e acredito que em breve teremos mais informações. Penso que poderemos ter por exemplo, um Festival da Cachaça envolvendo os produtores locais e visitações aos alambiques. Portanto, para o sucesso e aprimoramento do turismo local, os representantes dos segmentos turísticos de Pitangui (meios de hospedagem, gastronomia, empresas de transporte, comunicações, o pessoal das artes, da música, etc) devem participar, unindo esforços na elaboração deste e de outros produtos turísticos made in Pitangui.

 

Fonte: 

- CATÃO, Leandro Pena (Org.) Pitangui Colonial – História e Memória. Editora Crisálida. Belo Horizonte, 2011.

- FONSECA, Cláudia Damasceno. Arraiais e Vilas D’el Rei – Espaço e Poder nas Minas setecentistas. Editora UFMG. Belo Horizonte, 2011.