Cachaça e preconceito. Por que o destilado nacional continua estigmatizado?

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06 Novembro, 2017

Existe ainda um enorme preconceito ao redor da cachaça. Porém, com um trabalho sério e profissional, as mulheres vêm ajudando a quebrar a errônea imagem de 'bebida rústica e sem qualidade'.

Existe um grande preconceito rondando a nossa querida cachaça. De falsas noções de “bebida de baixa qualidade” até preconceitos de classe e gênero, a cachaça sofre uma grande discriminação desde o início de sua longa história, tão longa quanto a própria história do Brasil.

Motivos reais para isso não existem, pois sabemos que a cachaça é um dos melhores destilados produzidos no mundo, seja por sua qualidade química, seja pela sua riqueza sensorial ou simplesmente pela carga cultural que ela carrega consigo nestes quase 500 anos de vida.

Então, de onde vem a má fama? Tudo começa quando a coroa portuguesa passou a sentir a concorrência que a cachaça fazia aos produtos importados do reino, o vinho e a bagaceira. Tentando manter a primazia no mercado de bebidas, começou a taxar com altos impostos a produção de cachaça e a difundir o conceito de que ela era uma bebida de baixa qualidade e destinada aos socialmente desfavorecidos e aos escravos. Desde então, nossa cachaça segue estigmatizada.

Porém, já há alguns anos, nossa cachaça vem ganhando reputação e quebrando paradigmas. Ganhando as mesas, copos e balcões dos bares e restaurantes mais sofisticados do País. Junto a esse movimento vem a valorização dos profissionais do setor, com produtores, mestres alambiqueiros e cachaciers (sommeliers de cachaça) ganhando o reconhecimento dos consumidores e aficionados.

Neste movimento entram as mulheres, que esta semana, no mês que se comemora o Dia Internacional da Mulher, ganharam um evento para destacar a sua atuação no mercado, seja como produtoras, sommeliers ou consumidoras do nobre destilado nacional.

Por mais que eu defenda a cachaça como um fator agregador, como diz a especialista Isadora Bello Fornari: “a cachaça deve somar, unir, sem fazer distinção por sexo, raça ou condição social. Não existe cachaça para mulheres, existe a boa cachaça, que deve ser apreciada por todos sem distinção. Sem dividir. Só somar. ” Isadora é uma das profissionais de maior destaque no setor e uma das criadoras do Percurso Multissensorial da Cachaça e do Travessias Brasil, projetos que visam sanar essa questão difundindo uma boa imagem para a cachaça e espalhando informação ao segmento.

O evento “Mulheres na Cachaça: da produção ao balcão”, organizado por Bruno Videira (sommelier e blogueiro), destaca justamente essa atuação. Ele será realizado nesta quarta-feira, 22, na Rota do Acarajé. Participam do debate Dinah de Paula (produtora e sommelier) e Marcelo Pardin (produtor e sommelier). Além de um bom bate-papo, o evento promete harmonizar cinco cachaças – todas produzidas ou com alguma relação profunda com o sexo feminino – com alguns dos petiscos mais tradicionais da casa.

Fonte: http://paladar.estadao.com.br